Anderson Freire - Entrevista

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   Foi com sorriso no rosto que Anderson Freire entrou na sala de entrevistas para encontrar a equipe da Louve. 

 

  Não economizou abraços ou simpatia. Ao seu lado estava a esposa Raquel, com quem é casado há 13 anos e a quem atribui muita inspiração, troca e companheirismo.

    Neste bate-papo, o cantor que completa 38 anos em junho, conta detalhes sobre sua jornada com Cristo, a importância da música e da família em sua vida esobre o novo CD, Contagem Regressiva, quarto álbum inédito de Anderson Freire pela gravadora MK Music.

   Revista Louve: Para começarmos, você poderiacontar um pouco sobre sua trajetória com Cristo?

  Anderson Freire: Eu considero a caminhada com Cristo, na minha vida e na da minha família, umahistória que caminha para a consolidação.
   Hoje, eu ea minha família podemos declarar “eu e minha casa serviremos ao Senhor”.

Mas percebo que esta foi umasemente lançada lá atrás, quando minha mãe acreditou, quando a mãe da Raquel, minha esposa, acreditou.Quando elas nos levavam para a Escola Bíblica Dominical, participavam dos cultos de ensino. Por um tempo, até pensei: poxa, será que isso é religiosidade? Será que estou aqui por que mamãe me trouxe? Mas, não. A minha mãe não sabia explicar a Bíblia, mas havia o ensinamento do céu na minha casa.  Eu estava no lugar certo para ouvir as coisas certas. Hoje eu louvo o Senhor por que os joelhos da minha mãe orando se tornaram um memorial para que pudesse estar aqui hoje.

RL: Você acaba de lançar um novo CD com um tema forte: a volta de Cristo e o despertar da igreja. O que pode nos contar a respeito deste álbum?

AF: O CD Contagem Regressiva é muito especial, por que as canções nasceram dentro do quarto. Eu queria fazer algo que fosse o Anderson escrevendo. Muito mais que um poeta, alguém escrevendo algo para marcar a vida de outros. Eu estava sendo marcado pelas palavras que estavam edificando a minha casa. Então, o Contagem Regressiva faz você parar, pensar e agir. Essa é a ideia. Cristo, no espaço de 40 dias depois de sua morte e ressureição, vai falar sobre o Reino de Deus. Ele não vai perder um só momento, não vai falar da traição de Judas ou o porquê Pedro o negou, só vai ter um assunto: o Reino. Então, qual tem sido o nosso assunto quando a gente se encontra? Qual tem sido a nossa conversa sentados à mesa com a família? Qual tem sido nosso conteúdo no dia a dia? Precisa ser o Reino, precisa ser o amor, precisa ser Cristo. Então o Contagem Regressiva faz pensar onde estamos investindo a minha maior moeda, que é o tempo.

RL: O Reino de Deus é uma temática poderosa. Qual mensagem que você deseja reafirmar para a Igreja a respeito dele?

AF: Jesus é o plano de Deus na terra. A igreja é o plano de Cristo na terra. A igreja é isso, uma semente que começou em Jerusalém, se espalhou por toda a Judeia e Samaria até São Paulo, Cachoeiro, Rio de Janeiro, até os confins da terra. Esse é o Reino de Deus. Não é passar uma sensação de céu na terra, de fato é viver o Pai Nosso: “assim na terra, como no céu”. Expressar a alegria e a plenitude da vida em nós, nos nossos olhos e principalmente no nosso testemunho de vida.

RL: Olhando para sua carreira, é possível perceber muitas parcerias. Qual a importância delas dentro da sua jornada?

AF: Música é algo muito especial. Uma vez um compositor escreveu uma letra. Conversei com ele, entendi o que queria falar, fizemos uma parceria e percebi que poderia ajudá-lo a esclarecer melhor, para que não fosse mal interpretado. Não por causa dele, mas por causa de quem ouviria. Precisamos ter esse cuidado. A parceria faz isso, ela colabora, melhora com o outro para que o culto e a criança ouçam. É uma ajuda. Eu costumo dizer que é Ur de um lado e Arão do outro, levantando os braços de Moisés para dar certo. A mensagem precisa ser erguida, e os parceiros precisam se unir para que a mensagem chegue com vida e faça o exército vencer a batalha entendi o que queria falar, fizemos uma parceria e percebi que poderia ajudá-lo a esclarecer melhor, para que não fosse mal interpretado. Não por causa dele, mas por causa de quem ouviria. Precisamos ter esse cuidado. A parceria faz isso, ela colabora, melhora com o outro para que o culto e a criança ouçam. É uma ajuda. Eu costumo dizer que é Ur de um lado e Arão do outro, levantando os braços de Moisés para dar certo. A mensagem precisa ser erguida, e os parceiros precisam se unir para que a mensagem chegue com vida e faça o exército vencer a batalha.

RL: Alguma memória de parceria que te faça sorrir?

AF: Chorar também (risos). Sorrir de alegria o meu sobrinho, alguém que eu não esperava fazer parceria comigo. Eu olho para ele e digo: filho, você não precisa lutar para ser o Anderson ou ser melhor que o Anderson. Você só precisa superar a si todos os dias em Deus. E eu preciso torcer para que você chegue a lugares que eu não consegui ainda. Mas, não tem que ser uma obrigação. Ele assumiu a responsabilidade e não foi pesado. Isso me faz sorrir. Chorar, por que uma vez um amigo falou assim: “eu quero ser seu parceiro. Quando eu vou ter um carro igual o seu? Uma casa como a sua?”. Respondi: não escreva buscando as coisas. Escreva pela liberdade e não para se tornar um prisioneiro de resultado de direito autoral. Seja livre por conta das sementes que você tem lançado e vão gerar vida em alguém. Falei para ele que o maior prazer de um compositor não é olhar na conta bancária e ver direito autoral, e sim ver uma criancinha ou uma mãe chegando e falando: “a sua canção me ajudou a orar.”

RL: Sabemos que como compositor e músico, às vezes é difícil se afastar deste universo. Existe algo que você faça fora da música, como hobby?

AF: É muito difícil, por que eu ligo a música a Deus. Um dia lá no céu tudo começou e já tinha música. Eu considero que tudo vai passar, o amor permanece, a palavra de Deus permanece fiel e que o que vai continuar também é a música. Então é muito conseguir me desvincular desse universo. Agora, o que eu faço é o me desvincular desse universo. Agora, o que eu faço é o seguinte: trabalho muito o equilíbrio, pois o meu filho pode não se tornar um músico um dia, mas ele precisa ser um bom pai. Talvez ele não vá estudar música, mas precisa ter prazer em ver o pai estudando e falar: não é minha praia, mas preciso ser um chefe de família, ter uma esposa como meu pai tem, ter um filho como meu pai tem. Parece um sacrifício, mas descobri no final que é obediência. No sacrifício você assiste algo acontecer, na obediência você morre vontades, fecha os olhos, lança a semente e, independente de vê-la ou não, sabe que vai acontecer. Eu sei que se hoje Deus me levar, o meu filho vai ser um grande pai.

RL: Diante de sua experiência, qual recado poderia darpara os músicos que estão na igreja hoje?

AF: Este é um assunto que mexe comigo. Ser músico evangélico é fácil? Não. Entendo que simples é o que a gente precisa fazer e ser. Só que tudo que é simples não é fácil. Se fosse simples para Noé construir a arca, ele não seguiria as medidas. Se fosse simplese fácil Jesus se tornar o Leão da tribo de Judá, ele não sangraria no calvário. Onde quero chegar? Você pode ser músico e se dedicar. Ser músico e valorizar a música é independente de estar na igreja ou aceitar a Cristo. Nunca pense que estar na igreja é Deus estalaros dedos e fazer com você tenha um bom faturamentoe se dê bem, por que quando se chega na casa do Senhor, aí que se dobra a responsabilidade de estudar e se dedicar. Sou compositor e músico, mas pode perguntar à minha esposa quanto tempo passo para me aprimorar e aperfeiçoar isso em Deus. O fato de sermos músicos evangélicos não significa venha a unção e deixa tudo acontecer. Precisamos sim estudar e nos dedicar. Agora entenda algo: se algumas coisas não deram certo na vida de um músico na igreja, a culpa não é de Deus, aculpa não é da conversão, a culpa não é da liderança. É um processo que precisa ser analisado como um todo, com muito amor, com muita calma e com muito carinho, pois há na igreja uma necessidade muito grande de pessoas voluntárias que se dediquem. Eu acredito que sim, a liderança pode apoiar mais o músico, dar condições para que ele estude, mas o músico que entra na casa do Senhor não pode se apegar às formulas e achar que está tudo resolvido. Ser músico não nos leva para o céu, mas é ter a responsabilidade de melhorar quem você é a cada dia.

RL: Quais são seus projetos futuros?

AF: Vou ser bem sincero, não me chame de doido, mas o meu planejamento para o futuro é o céu, o Reino de Deus. Falo isso enquanto existe a câmera gravando e falo depois que desligar: meu plano futuro é o céu, é o Reino. Estou com meus pés apoiados no presente e no passado, que é a história, e de olho no futuro. E o futuro é esse: Jesus está voltando e Ele já voltou para a vida de alguém. Sinceramente, vivo o dia com responsabilidade, respeitando a minha esposa, vivendo não um contrato, mas uma aliança, deixando o legado para quem fica e avançando para o céu, para o Reino de Deus. Lancei um disco e vou fazer conforme as minhas forças o que for colocado em minhas mãos. Além disso eu descanso no Senhor e não forço trabalho em nada. Vem o convite, eu atendo. Não vem, eu me ofereço para cantar em uma igreja. Meu projeto futuro é amanhã estar reunido com a minha congregação louvando o Senhor. Se a gente chegar ao domingo, se Jesus não tiver voltado até lá, estar com os irmãos na Escola Bíblica Dominical e vambora! Vivendo sem ansiedade no futuro e transformando os traumas do passado em experiências para viver o presente.

RL: Para finalizar, deixe um recado para os leitores.

AF: Vocês são benção do Senhor. Salmos 90.12: “ensina-nos a contar os dias, Senhor, de tal forma que alcancemos corações sábios”. Naquela época, Moisés tinha como média de vida o tempo de 70 anos de idade. Nós entendemos que é uma janela que se abre, uma oportunidade para decidir: será que preciso ter inveja dos ímpios como Asafe teve? Ou me voltar para o santuário e entender que a presença de Deus é a maior riqueza? Os ímpios podem ser ricos, pois a riqueza flui da terra, mas a prosperidade vem do céu. Isso não brota da terra, mas passa na terra canalizado no coração que não perde o contato com o céu.

Deus abençoe.

Anderson Freire
Setembro / 2018

fonte: http://revistalouve.com.br/projeto2018/edicoes/edicao-agosto-2018